Pare de Comprar no Starbucks!

Certa vez eu dei uma “consultoria financeira” para uma americana que estava com muita dificuldade de pagar suas contas, de se manter e ainda ter que bancar o curso que estava fazendo…

Ela queria saber como que eu me mantinha em um país em que eu não podia trabalhar e aprender com a minha experiência.

E enquanto tomava o seu café, me lançou a seguinte pergunta:
– Quais conselhos você me dá para enfrentar essa situação?

Olhei pro copo em sua mão e disse:
– É fácil. Pare de comprar no Starbucks!

Tenha um foco

Deixa eu te explicar o motivo:

Os nossos grandes sonhos são bloqueados por pequenas atitudes e são essas pequenas atitudes que nos sabotam.

Só que para não nos sabotarmos, precisamos ter as nossas prioridades bem alinhadas e do foco apontando para onde queremos chegar.

É bem nesse ponto que muitas pessoas se perdem: onde chegar?

Muitos nem sabem!

Mas se você não sabe aonde você quer chegar, você vai acabar chegando a lugar nenhum. E tudo o que você vai ver são pessoas vivendo grandes sonhos enquanto você continua andando em círculos.

Então o primeiro passo que você pode dar é definir um objetivo, e isso algo que é bem mais simples do que parece.

É verdade que hoje somos bombardeados por tantas opções que travamos e ficamos tensos pra tomar uma decisão, por esse motivo eu preciso te dar uma notícia que vai aliviar a pressão:  o objetivo que você definiu pode acabar não se tornando o seu destino final.

É isso mesmo!

Porque em nossas vidas acabamos encontrando tantas surpresas, que o objetivo inicial pode mudar no meio do caminho!

Afinal, a vida não é uma ciência exata e ainda bem por isso! Porque, senão, ela seria muito chata, sem aventura e sem novos desafios para serem vencidos!

Mas, ao definir um objetivo você terá um norte pra te auxiliar em sua jornada financeira.

E o que o Starbucks tem a ver com isso?

Minha jornada pessoal

Pra te explicar sobre o meu conselho à americana, eu vou precisar te contar como eu consegui juntar dinheiro pra estudar nos Estados Unidos. Na verdade, essa é uma das perguntas que eu mais recebo quando se trata de finanças.

Talvez, por alguma diferença de contexto econômico, pode ser que a minha trajetória não se encaixe com a sua. Mas espero poder agregar valor com o que vou compartilhar pra você romper uma barreira!

Eu tinha acabado de completar 20 anos e me encontrava frustrado, pois estava na metade da faculdade, tinha um ótimo CR, mas não conseguia um estágio e me sentia perdido profissionalmente, questionando se eu tinha feito uma boa escolha.

Nos processos seletivos, era até “engraçada” a minha diferença e os demais candidatos: o pessoal já tinha feito “Work Experience” nos Estados Unidos, mochilão pra Ásia, intercâmbio na Espanha, entre muitas outras coisas… e eu sequer tinha viajado de avião ou saído da Região Sudeste do Brasil!

Eu não vim de uma família rica, muito pelo contrário, cresci no subúrbio do Rio e como muitos jovens cariocas já estudei em colégio público em um período por falta de grana. Ou seja, viagem internacional ainda era um sonho distante.

Mas naquela época, comecei a pensar em adquirir experiência internacional, até pra melhorar meu nível de inglês. Não sabia como isso iria acontecer, pois meus pais já investiam bastante em mim (eternamente grato!) e por mais que eles quisessem fazer ainda mais, eles não tinham como me ajudar no momento. E eu deveria ter uns 150 reais guardados.

Até que  apareceu uma oportunidade promissora na Nova Zelândia como uma luz no fim do túnel, através de uma pessoa que tinha uns contatos no país e que tentou fazer uma conexão pra mim. Fiz vários planos, pensei em trancar a faculdade por um tempo, fazer um dinheiro e ir pra Austrália.  Tirei o passaporte cheio de esperança quando tudo parecia dar certo… só que deu tudo errado.

Com as circunstâncias indo contra mim, começou a aumentar a pressão, principalmente dentro de mim, pois o tempo passava e a minha vida não parecia avançar.

Reconheço uma vantagem que eu tinha que muitos jovens não tem: nunca precisei pagar as contas de casa. Então o foco sempre foi estudar e treinar (em meus tempos de atleta), sem a pressa pra entrar no mercado de trabalho, até chegar na faculdade.

Por isso, eu mirava alto, em empresas como a Cola-Cola, TIM, IBM; ou nas grandes agências publicitárias. Quem sabe eu não me tornaria o próximo Washington Olivetto? Só que apesar de avançar nos processos seletivos, acabava reprovando em alguma etapa no meio do caminho.

Até que depois de bastante “não”s, acabou surgindo um estágio na área de Atendimento!

Bem… só que foi totalmente Expectativa x Realidade.

Pois o sonho ao entrar na faculdade de Publicidade era pra trabalhar em Atendimento Publicitário e participar de grandes campanhas

mas a realidade acabou sendo um pouco diferente e o “estágio” era pra trabalhar com Atendimento ao Cliente em uma empresa de leilões, atendendo telefone, respondendo e-mails e tirando muitas dúvidas.

É claro que todo trabalho é digno, porém era bem distante do eu idealizava. Mas na vida a gente sempre tem duas escolhas: reclamar ou agradecer.

Então decidi fazer aquilo muito bem feito, como tudo o que me dedico a fazer, com muita alegria e excelência, mesmo ganhando nem a metade do que eu desejava.

Uma nova porta

Acontece que um mês se passou e apareceu uma nova oportunidade: participar de um processo seletivo para trabalhar em um banco privado.

Entretanto eu resistia a essa ideia porque eu achava que bancário morria bancário e aquilo me dava medo. Pois, com todo respeito aos ex-colegas de profissão, nunca senti que essa era a minha vocação.

Mas pra quem estava ganhando 500 reais no “estágio”… por que não?

Passei no processo! Fui aprovado e comecei a trabalhar em uma agência na Barra da Tijuca.

Eu ainda estava bem longe do sonho… mas estava trabalhando a mesma quantidade de tempo do que anteriormente e ganhando quase 3 vezes mais e recebendo diversos benefícios, como vale alimentação, vale refeição, 13°, participação de lucros e plano de saúde!

Tomando decisões

Foi bem nessa época que comecei a ter meu próprio dinheiro, que vi amigos e colegas comprando o primeiro carro e esse é o sonho de muita gente! E é claro que eu também tinha o desejo de ter o meu! Tinha “acabado” de tirar a minha carteira de motorista!

Mas eu pensei: “se consigo me virar de ônibus pra chegar no trabalho, na faculdade e na igreja, pra que vou pagar juros tão altos? Sabe de uma coisa, vou juntar uma grana pra comprar um carro a vista. Não preciso de pressa…”

Então eu fazia o seguinte: separava meu dízimo, pagava as minhas contas pessoais que se resumia no plano mensal do celular, a parcela do iPhone 3GS (10x pela TIM) e alguns outros pequenos compromissos. E a maior parte do salário eu jogava em uma conta-poupança.

Também adotei uma estratégia com o Visa-Vale: ao invés de gastar em restaurantes durante a semana em meu curto intervalo de almoço, eu passei a levar comida de casa pro trabalho.

Dessa forma, o dinheiro se acumulava no cartão-refeição e usava pra sair nos finais de semana! Era muito bom! Com isso eu economizava pelo menos 400 reais da minha conta-corrente por mês e podia ir em muito restaurante que eu gostava com meus amigos! Acho que nunca fui em tanto rodízio de japonês em toda a minha vida!

Com muito empenho e favor de Deus, acabei recebendo duas promoções em 1 ano, chegando a Gerente Assistente de Pessoa Jurídica, passando a ganhar 5 vezes mais do que naquele estágio, sem contar os benefícios que eu já citei.

Só que depois de alguns meses nesse novo cargo, eu sentia que o meu tempo na empresa estava acabando. Bem, uma hora iria acabar… afinal, desde o começo eu sabia que aquela era uma fase que tinha prazo de validade.

E como o banco fazia muitos acordos, eu fui atrás do meu. E por um milagre, eu consegui uma rescisão (sem precisar de picaretagem!).

Eu sei que muitas pessoas ficam chateadas quando são demitidas, mas naquele dia eu era a pessoa mais feliz do mundo! Apesar de ter gostado e crescido com a experiência, eu estava no último período da faculdade e pronto para algo novo!

Mas vamos falar de números:

Pra você ter uma ideia, nesses 19 meses trabalhando no banco eu consegui juntar uns 20 mil reais. E com a rescisão (férias atrasadas e diversos benefícios), meu dinheiro mais do que dobrou, me deixando com quase 50 mil reais.

Essa era uma época que eu estava quase chegando no meu objetivo: o carro! Mas decidi seguir a paz que eu tinha no meu coração e esperar mais um pouco.

Afinal, como eu estava passando por uma transição, não parecia uma boa idéia assumir um compromisso financeiro. Pra ter um carro eu precisaria gastar com gasolina, seguro, IPVA, estacionamentos, etc…

Então eu estava recém-formado, sem proposta de emprego e com um dinheiro no banco. O que fazer? Investir em que?

Decidi investir na minha vida e viver um sonho.

Um sonho muito maior do que a Nova Zelândia. Muito maior do que a minha lógica tentou planejar em 2010! E foi quando eu decidi aplicar pra uma escola bíblica na California e fui aceito em junho de 2012!

Parece que o jogo virou, não é mesmo?

Dois anos antes nem conta-bancária eu tinha! Agora, o valor guardado se tornaria a minha principal base financeira, já que o meu visto não me dava permissão para trabalhar!

Mas acredite em mim quando eu digo que não foi o meu salário que me ajudou a viver esse sonho. Foi a sabedoria.

Vamos novamente falar em números:

Só a decisão de levar comida pro trabalho ao invés de comprar diariamente me fez economizar aproximadamente 8.000 reais em 19 meses de empresa.

Se eu for colocar na ponta do lápis, em 2012, com o dólar à R$2,16, esses 8 mil se transformariam no valor que eu precisava pra pagar o meu aluguel, minha conta de água, luz, internet e alimentação durante 1 ano letivo inteiro.

E se eu escolhesse pelo carro lá no começo do emprego no banco, como seria? Praticamente todo o meu salário ficaria comprometido. Além disso, dificilmente eu conseguiria me desligar da empresa pois entraria em uma bola de neve pra manter o meu estilo de vida.

Mas e o Starbucks?

Starbucks representa o supérfluo: você acha que precisa, mas é algo que desvia a sua atenção de um objetivo maior e por isso você anda no limite ou no vermelho.

Segundo uma pesquisa feita pela Money Matters, um americano Millennial (+/- 18 a 35 anos) gasta em média US$1.100,00 em café por ano. Isso mesmo: 91,66 VERDINHAS EM CAFÉ POR MÊS! E muitas vezes em cafeterias como Starbucks! Café esse que pode ser feito em casa!

Ou seja, aquela americana economizasse APENAS com café, ela poderia viajar pra um lugar incrível, investir em um curso… ou não estaria tão desesperada no final do mês.

Vamos para outro exemplo: ela disse que estava sem dinheiro, mas ela mantinha um carro em uma cidade que era até viável andar de bicicleta, como eu mesmo fiz por dois anos.

Porque, pra mim, a matemática era simples: passar MAIS UM ANO na escola dos meus sonhos ou mais conforto por APENAS UM ANO?

Preferi a primeira opção!

Tudo é uma questão de escolha e prioridade, pois opções como essas estão sempre nos rodeando.

Vamos aplicar isso na sua vida pessoal.
Por exemplo, talvez você goste de…

…roupas de marca?
…comer em restaurantes caros todo final de semana?
…de trocar de carro todo ano?
(o que mais você poderia aplicar aqui?)

Mas até que ponto o nosso consumo é necessário se no final faz uma diferença no orçamento ao ponto de impedir com que alcancemos novos objetivos, de que tenhamos uma nova experiência e de que vivamos um novo sonho?

Vamos pra uma outra pesquisa: segundo a Vigitel, 21,8% dos brasileiros (ainda) consomem cigarro e o maior índice está entre pessoas com até 8 anos de escolaridade. Com a compra de apenas 1/2 maço por dia, pode trazer um peso de, pelo menos, R$900,00 pro orçamento anual! Ou seja, ao largar o cigarro, além de ter mais saúde, ainda torna possível fazer uma viagem pra Gramado (ou pra muitos outros lugares!)

Talvez (Tomara que) você não fume. Mas qual é o seu “cigarro”? O que pode e precisa ser dispensável? Entendeu o meu ponto?

Conheço e ouço casos de diversas pessoas que falta dinheiro no final do mês, sendo que na verdade faltaram boas escolhas e bom-senso: ganhou e gastou. Não houve um pingo de planejamento. Se você perguntar pra onde foi o dinheiro dela, ela não sabe.

Outro dia alguém postou no Facebook que crente não precisa de mais uma “Corrente da Prosperidade”, mas de cursos de planejamento financeiro.  Eu ri, mas sabendo que no fundo é verdade. É questão de cálculo!

Como eu disse anteriormente, a vida não é uma ciência exata, mas a sabedoria de Deus aplicada na ciência exata da sua vida pode te ajudar em novas conquistas!

Eu quero deixar claro que eu não sou contra frequentar Coffee Shops, de comer em um bom restaurante ou de conforto. Muito pelo contrário, faço sempre que posso. Mas, hoje, uma das minhas prioridades e da minha esposa é viajar e conhecer o mundo. Ou seja, prefiro comer em um bom restaurante na Polônia e ter um pouco mais de conforto no Havaí.

Então até na hora das pequenas decisões buscamos estar conscientes do nosso objetivo, um dos motivos pelo qual na semana passada eu compartilhei uma foto no meu 21º país em 6 anos!

Mas esse é o nosso sonho. Talvez você tenha outros.
E tomara que tenha! Pois Deus é muito criativo e te desenhou de uma forma única e especial.

É claro que eu poderia estender e falar muito mais sobre o assunto. Somos muito abençoados e estamos experimentando tantos milagres que eu poderia escrever um livro (e possivelmente o faça!). Mas acredito que até aqui tenha conseguido  passar a minha mensagem e ter te ajudado de alguma forma.

Por isso eu quero terminar perguntando mais uma vez:
Qual é o seu objetivo?
E o que precisa ser dispensável?

Anote agora!
Foque nisso.
Lembre-se na hora de tomar decisões!
E nunca deixe de acreditar Deus pode fazer além do que você imagina! Pois quando você age no natural, Deus te surpreende de forma sobrenatural!

 

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Leia também:

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2 comentários em “Pare de Comprar no Starbucks!”

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